Flor de Lótus 2015 – “TARSILA DO AMARAL, O SOL LARANJA QUE ILUMINA A ARTE BRASILEIRA”

Justificativa

 

No Carnaval Virtual de 2003, a União do Samba Brasileiro fez parte do grupo de escolas que se filiou à LIESV para o primeiro desfile, porém, acabou por não desfilar em 2003. O enredo e o samba escolhidos para aquele desfile, sobre Tarsila do Amaral, foram apresentados no ano seguinte, no carnaval virtual de 2004. O desfile assinado por Willian Tadeu, que venceu o Troféu Clara Nunes de Revelação do Ano, foi marcado pela originalidade e fácil leitura e despontou como um dos favoritos do ano, alcançando os Troféus Clara Nunes de Melhor Enredo e Melhor Escola, dividindo o título das pesquisas populares com a Imperiais do Samba, que acabou se tornando a campeã oficial, enquanto a USB acabou por terminar em 5° lugar.

Para o Carnaval Virtual de 2015, a Flor de Lótus retoma o seu compromisso com a brasilidade e traz para a avenida a reedição do grande enredo apresentado pela União do Samba Brasileiro em seu primeiro desfile, “Tarsila do Amaral, o sol laranja que ilumina a Arte Brasileira”, levando para a avenida a obra de uma das maiores artistas brasileiras, que através de sua arte retratou o Brasil e sua cultura de maneira magistral.

Segue, a seguir, a sinopse original da União do Samba Brasileiro, apresentada no Carnaval Virtual 2003, que transmite o espírito do enredo e a grande homenagem a Tarsila do Amaral e à cultura brasileira.

 

Sinopse

 

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Virtual União do Samba Brasileiro vem, em sua primeira apresentação pela Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais, trazer um colorido contagiante para alegrar as pessoas de todo o país que estarão acompanhando nosso desfile.

Levaremos, ao nosso desfile, grandes momentos da maravilhosa obra de Tarsila do Amaral. Faremos um carnaval colorido e alegre, tipicamente brasileiro, como os quadros da pintora. Seus quadros servirão de base para a elaboração de nosso desfile. Nosso principal objetivo é formar uma cena bem brasileira, homenageando uma grande brasileira.

“Sagrado Coração de Jesus”, o primeiro quadro a ser pintado por Tarsila, nos inspira para abrirmos caminhos para a USB, pois Tarsila do Amaral traduziu em sua obra a essência do sagrado coração brasileiro, que hoje brota na alegria de cada sagrado coração sambista de nossa escola. Daremos também um toque impressionista em nosso carnaval, já que ela passou por uma fase impressionista no início de sua carreira.

Tarsila não participou da Semana de Arte Moderna, mas se juntou aos modernistas de 22, tendo grande importância neste movimento. Tarsila começa a despontar como uma inovadora.

Na alegria das cores e formas brasileiras, “A Negra” vem sambar nesse carnaval, pois Madureira está em festa. Celeiro de bambas, ícone do samba brasileiro, local onde as baianas descem do “Morro da Favela” para serem aplaudidas na procissão do samba. A faceirice da passista, a alegria do folião, os barracos que são coloridos em quatro dias de libertação se fazem presentes nessa grande pincelada de nossa tela.

Cores vivas e temas brasileiros unidos a formas geométricas. Essa foi a fase Pau-Brasil (da qual os quadros “Carnaval em Madureira”, “Morro da Favela” e “A Negra” fazem parte), uma espécie de cubismo à brasileira. Brasil das grandes metrópoles, da paisagem natural que encanta. Os peixes estão na rede, na rede de “O Pescador”. Pescador que vai ao mar, protegido por Iemanjá, com muita fé em Deus e nos orixás, nos santos e nos patuás. O colorido brasileiro se faz presente em cada canto de nossa pátria: da magia dos à simplicidade de uma feira.

“Abaporu”, o antropófago, homem (aba) que come (poru), vem trazer a deglutição cultural proposta pelo Movimento Antropofágico. Suas formas deformadas mostram que algo novo está nascendo, como no quadro “O Ovo” ou “Urutu”. Abram alas para Macunaíma, personagem criado por Mário de Andrade, que vem, mesmo sem caráter, trazer sua companheira Ci, a mãe do mato, para a maior festa do país de “pouca saúde e muita saúva”. E nossa comilança cultural continua, afinal nosso país é o país dos negros, brancos, índios, amarelos, diversas raças e diversos credos na mais pura mistura. Esse é o país que influencia e se deixa influenciar, que encanta e se deixa encantar. É o United States do Brasil e é também o “meu Brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro”, que escreve uma língua e fala outra. É realmente, o resultado da deglutição de um pouquinho de cada parte do mundo. E o sonho dos “antropófagos” era o da fusão desses vários elementos, ao invés de eles existirem separados em nosso país.

E os sóis laranjas, “marca registrada” dos quadros de Tarsila nesta fase, vem iluminar nosso carnaval em um lindo amanhecer sobre “O Lago”, nos mostrando também outra marca desses quadros, os cactos. Mas esses sóis também anoitecem, nos mostrando “A Lua”, quadro preferido de Oswald de Andrade, segundo marido de Tarsila.

Tarsila pintou “Operários” e iniciou a pintura com temas sociais no Brasil. Mostrou nessa pintura esta gente sofrida que luta para mostrar seu valor, sobrevivendo em uma terra sem justiça e sem leis. Essa gente que atende pelo nome de “povo”.

Participou da I Bienal de São Paulo. Em 1973, a estrela foi morar no céu.

E a estrela é um sol laranja que iluminará para sempre a arte brasileira!

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