RANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES NO PROTESTO DA VIZINHA

 

1. JUSTIFICATIVA:

 

Nos últimos meses, vimos o crescimento dos movimentos populares no Brasil, culminando com as grandes manifestações que ocorreram a partir de Junho de 2013, em plena Copa das Confederações.

Tais manifestações demonstraram toda a insatisfação do brasileiro com o momento político e com o pouco compromisso do governo com a população. Enquanto a propaganda governista vende um Brasil cor-de-rosa onde tudo dá certo, as promessas de prosperidade vem se mostrando grandes miragens, como castelos de cartas que com o pequeno soprar do vento começam a se desmantelar. Eike Batista que o diga…

O brasileiro, no entanto, não está sozinho nessa ‘onda’. Os protestos vem ocorrendo no mundo todo, derrubando ditaduras, expondo a hipocrisia de países subdesenvolvidos, desnudando políticas perversas que oprimem pessoas em todos os cantos.

Com base nisso, a Bandeirante da Folia, atual campeã da LIESV, acredita que é hora de mostrar que o carnaval também tem de entrar na luta, lembrando de um grande protesto carnavalesco, talvez o primeiro de todos, realizado pela escola de samba Vizinha Faladeira nos anos 30, após a perseguição de alguns jurados que, pelo fato do enredo não apresentar uma temática “nacional”, desclassificaram a agremiação.

Mostrando o espírito rebelde e inovador da Vizinha Faladeira, que tantas marcas deixou para os desfiles das escolas de samba, e comparando o protesto da escola com os movimentos sociais de hoje, a Bandeirante da Folia pretende fazer um carnaval diferente, quebrar paradigmas e revolucionar com base no espírito dessa juventude que vai para as ruas para lutar por um país melhor.

 

2. SINOPSE:

 

Carta de Anonymous LIESV:

 

Chegou a hora de colocar a boca no trombone!

Eles estão chegando: a tropa de choque, o caveirão, milhares de policiais fardados, todos querendo dispersar a nossa força!

Mas não nos calaremos!

Continuaremos gritando: Fora Cabral! Fora Eduardo Paes! Abaixo todos os políticos que nada fazem pela educação e pela saúde!

E você, liesviano, com o sangue de sambista na veia, tem de saber que carnaval também é lugar para protestar!

Chegou a hora de pegar a máquina do tempo e voltar para uma época diferente.

O carnaval carioca ainda não tinha as escolas de samba. Era o tempo das Grandes Sociedades: os Fenianos, os Democráticos, os Tenentes do Diabo. Com suas muitas alegorias, puxadas pela força de burros, a criatividade do carioca era apresentada com riqueza de detalhes. E toda Grande Sociedade possuía um carro da crítica, onde o governo era ‘descascado’ e desmacarado pelos desfilantes. O nosso carnaval nasceu com o espírito do protesto e da crítica!

Na Gamboa, Santo Cristo, Saúde e adjacências, o carnaval também era motivo de festa. Estamos na Zona Portuária; senhoras da vida noturna, estivadores, donos de banca de bicho e carteados, contrabandistas e etc. admiravam as escolas de samba, um tipo de agremiação que acabava de nascer. Nos desfiles, vinham os malandros com suas navalhas – eles eram sustentados pelas prostitutas da antiga zona do meretrício. E as moças de vida fácil só podiam desfilar depois que as escolas passavam pela comissão julgadora – e mesmo assim, de máscaras e fantasiadas de pierrot!

Foi na Rua da América que surgiu a Vizinha Faladeira; seu nome foi baseado em moradoras, conhecidas como a “Velha França” e a “Velha do Beco”, que fofocavam e protestavam contra os malandros, sambistas e estivadores que jogavam carteado.

A escola começa a desfilar em 1933, com um enredo sobre os Garimpeiros; em 1934, trazendo o enredo “Malandro Regenerado”, fez história – apresenta uma comissão de frente formada pordoze limousines luxuosas, conduzindo pessoas extremamente bem vestidas.

A Vizinha Faladeira era uma escola de samba com alma de Grande Sociedade.

Em 1935, é a vez de “Samba na primavera”, com direito a sambistas montados em cavalos, bem como a primeira alegoria da história das escolas de samba – um caramanchão sobre rodas.

Já nessa época, a escola contrata os primeiros carnavalescos profissionais da história – os Irmãos Garrido, cenógrafos do Teatro Municipal.

Em 1936, apresentou “Ascensão do samba na alta sociedade”, com uma ala de damas com sombrinhas.

É campeã em 1937 com o enredo “Uma só bandeira“, uma homenagem às bandeiras dos estados e a própria bandeira nacional, trazendo iluminação própria através de quarenta gambiarras espalhadas pelo desfile.

Não ocorreram desfiles em 1938 por causa das chuvas no Rio de Janeiro. Em 1939, com o enredo “Branca de Neve e os sete anões”, apresenta a primeira porta-bandeira negra da história (Roxinha) e a primeira ala das crianças. A escola vinha com três alegorias; a dos anões, da bruxa e da Branca de Neve, saindo de seu desfile consagrada pelo público; no entanto, após denúncia de uma coirmã, acabou sendo desclassificada, acusada de violar o regulamento por apresentar enredo sem temática nacional.

Em 1940, com o lema “Carnaval para o povo”, a escola resolveu fazer seu último desfile – revoltados com a desclassificação do ano anterior, eles queriam apenas desfilar para o povo; então, resolveram passar por trás das cabines da comissão julgadora para protestar contra a covardia que haviam sofrido.

Ao final de seu desfile, levavam uma faixa com os seguintes dizeres: “Devido às marmeladas, adeus Carnaval. Um dia voltaremos”. E só voltaram décadas depois.

Hoje, a mesma força que levou a Vizinha Faladeira dos anos 30 a protestar inspira os diversosmovimentos sociais que tomaram conta das ruas de todo o mundo.

É hora de botar o dedo na ferida.

Vimos a Primavera Árabe, quando o povo saiu para as ruas para lutar contra os regimes ditatoriais que se perpetuavam no poder; o movimento FEMEN, onde as mulheres tiram a roupa pela causa feminina; as manifestações pró-ecologia do Greenpeace; as causas pelos direitos humanos; além, é claro, dos protestos brasileiros por saúde e educação.

É nesse clima que chega Branca de Neve, vestida de preto, levando em uma mão o vinagre para atenuar os efeitos das bombas de gás, e na outra, a lata de spray de tinta para pintar nas paredes o símbolo do anarquismo. Ela é mais uma das milhares de pessoas focalizadas pela lentes incrédulas da televisão, protestando contra o governo, mostrando a força de quem quer fazer acontecer.

As eleições estão chegando. É hora de mudança.

#vemprarua #protesto #agoraehhorademudar #bandcampeadaliesv

 

3. BIBLIOGRAFIA

 

– Apoteose do Samba. Vizinha Faladeira, Histórico. In:http://www.apoteose.com/vizinhafaladeira/historico.htm

– LOPES, Tim. Escola volta depois de 50 anos.http://www.docvirt.com/WI/hotpages/hotpage.aspx?bib=CDU&pagfis=6674&pesq=&esrc=s&url=http://docvirt.com/docreader.net

– MACIEL, MARCO. Vizinha Faladeira. Resultados. Sambas Enredo. Histórico, inhttp://www.sambariocarnaval.com/index.php?sambando=vizinha

– MARQUES, Guilherme. ESCOLAS DE SAMBA: Vizinha Faladeira, a precursora da irreverência no carnaval carioca. in: http://www.carnavalesco.com.br/detal_carnavalesco.php?car_id=362

– Wikipedia. ARES Vizinha Faladeira. In: http://pt.wikipedia.org/wiki/ARES_Vizinha_Faladeira